quinta-feira, novembro 15, 2007

O Mundo não abana...


O Mundo não abana, mas …

Mas são 6:15 da manha e acabo de chegar a casa de uma festa. Festa, essa onde o principal objectivo era não pensar em tudo o que me vem modificando nestes últimos tempos e poder estar com alguém que me tem marcado.

Ainda assim…

O meu mundo não abana, mas tem momentos em que a estupidez e egoísmo humano deixam-me revoltado e me fazem ter momentos de pseudo insanidade.

Tenho plena consciência que neste momento não sou o dito “normal guito” ando apático, ando distante e sempre com um semblante muito carregado. Não é preciso ninguém me dizer que não ando bem, ainda tenho noção da realidade, contudo, existem amigos que a cada dia que passa me marcam mais e me deixam mais ligados a eles, faço questão de referenciar o Mário e o Ferraz, que em momentos como este não me vem “foder” a cabeça mas sim com preocupações sinceras sobre mim.

Sendo a coisa mais importante de hoje, que me deixaria a pensar, a frase do Ferraz durante o aquecimento do jogo “Fofinho, que se passa contigo? Já tenho saudades de te ver sorrir!” Isto é algo que eu nunca pensei ouvir de ninguém, muito menos daqueles pelos quais eu dou tudo o que tenho.
Ou então alguém como o Mário, que vem directamente falar comigo e pergunta sem rodeios, “O que tens, porque andas assim? Fazes falta!” E tenta-me fazer ver que não estou correcto e indica-me o caminho a seguir.
Assim, com pessoas como estes dois o meu mundo certamente iria ser bem mais abrangente.

Mas não, as pessoas continuam a olhar só para elas…

Alias, no fim desta noite de festa, acabo por sair pior do que cheguei.
Vou dirigir isto directamente a alguém, que muito facilmente, se aqui vierem iram perceber.

Eu sei que não me conheces realmente bem, mas digo-te, quando eu próprio afirmo que “não estou com cabeça”, o melhor que tens a fazer é parar, não insistir constantemente em bater naquele tema que não quero falar. Eu nunca, ou quase nunca digo que não quero falar sobre algo, especialmente se me envolve a mim, sou demasiado honesto comigo mesmo para não o fazer, quando tenho problemas ou sinto necessidade de dizer algo eu digo.
Mas desta vez eu fui sair para estar com os amigos, ganhar um novo alento e não para aturar os teus filmes. Já falei, já fui muito honesto contigo e mais não te posso fazer, ainda assim, digo-te que deves repensar muito bem os teus comportamentos e atitudes se queres continuar no que até aqui tem sido, como bons amigos.

A outra pessoa a que me vou referir, deixo-te uma simples frase de reflexão caso queiras ver além do óbvio: “Para sermos realmente diferentes não basta dize-lo é preciso faze-lo”.
...
...
...

Eu não sei se algum autor já utilizou este pensamento, mas que eu o utilizo há muito tempo para mim e que lá cheguei por as minhas custas e que nunca o vou abandonar, isso é certo.

Quero paz, sossego, alegria e principalmente muita tranquilidade…

Mais não vale a pena dizer, porque os sentimentos envolvem a racionalidade e como tal, quis apenas deixar um simples alerta.

E vou me deitar…

quarta-feira, novembro 14, 2007

Frases soltas!

Quem me conhece sabe, por norma ando sempre com uma olha solta por perto, com o intuito de captar uma frase com conteúdo e digna de reflexão. Após algum tempo de pesquisa (como diz o meu mui nobre jumento ;) ) decidi criar aqui uma temática de frases soltas que têm como mero intuito dar um nível que profundidade e introspecção aos poucos leitores que acompanham a evolução deste meu blog.

Como toda a gente sabe, tudo começa com um início, como tal a minha primeira frase solta fará questão a esse início, ao início de tudo aquilo que existe e ao início desta nova dinâmica…

"Todos os dias é um dia novo, todos os dias começa algo novo é o principio."
Robin Sharma

P.S: Não venho com isto, aumentar o erotismo que fizeram questão de referir por esses blogs fora que o meu blog possui…

Um abraço e um beijo

terça-feira, outubro 30, 2007

Para ler, respirar fundo, sentir e reflectir

Estou livre. Saí da prisão, a minha mulher desapareceu em circunstâncias misteriosas, não tenho um horário fixo para trabalhar, não tenho problemas de relacionamento, sou rico e famoso, e se, de facto Esther me abandonou, encontrarei rapidamente alguém para a substituir. Sou livre e independente.

Mas o que é a liberdade?

Passei grande parte da minha vida a ser escravo de alguma coisa, portanto devia compreender o significado desta palavra. Desde criança lutei contra os meus pais, que queriam que fosse eu engenheiro em vez de escritor. Lutei contra os meus amigos no colégio, que logo no início me escolheram para ser a vítima das suas brincadeiras perversas, e só depois de muito sangue correr do meu nariz e dos deles, só depois de muitas tardes em que tive de esconder da minha mãe as cicatrizes – porque tinha de ser eu a resolver os meus problemas, e não ela – consegui mostrar que podia levar uma sova sem chorar. Lutei para arranjar um emprego que me sustentasse, fui trabalhar como distribuidor numa loja de ferragens, para ficar livre da famosa chantagem familiar: “Nós damos-te dinheiro, mas tu tens de fazer isto e aquilo.”

Lutei – embora sem qualquer resultado – pela rapariga que amava na adolescência, que também me amava; ela acabou por me deixar porque os pais dela a convenceram de que eu não tinha futuro.

Lutei contra o ambiente hostil do jornalismo, o meu emprego seguinte, onde o patrão me deixou três horas à espera, e só me deu alguma atenção quando comecei a rasgar em pedaços o livro que ele estava a ler: ele olhou para mim surpreendido e viu que ali estava uma pessoa capaz de perseverar e enfrentar o inimigo, qualidades essências para um bom repórter. Lutei pelo ideal socialista, acabei na prisão, saí e continuei a lutar, sentindo-me o herói da classe operária – até que ouvi os Beatles e decidi que era muito mais divertido gostar de rock que de Marx. Lutei pelo amor da minha primeira mulher, da segunda e da terceira, porque o amor não tinha resistido e eu precisava de seguir em frente, até encontrar a pessoa que tinha sido posta neste mundo para me encontrar – e não era nenhuma das três.

Lutei para ter coragem de deixar o emprego no jornal e lançar-me na aventura de um livro, mesmo sabendo que no meu país não existia ninguém que pudesse viver da literatura. Desisti ao fim de um ano, depois de mais de mil páginas escritas, que pareciam absolutamente geniais porque nem mesmo as conseguia compreender.

Enquanto lutava, via as pessoas falar em nome da liberdade, e enquanto mais defendiam este direito único mais escravas se mostravam dos desejos dos seus pais, de um casamento onde prometiam ficar com o outro “para o resto da vida”, da balança, das dietas, dos projectos interrompidos a meio, dos amores aos quais não se podia dizer “não” ou “basta”, dos fins-de-semana em que eram obrigadas a comer com quem não desejavam. Escravos do luxo, da aparência do luxo, da aparência da aparência do luxo. Escravos de uma vida que não tinham escolhido, mas que tinham decidido viver – porque alguém acabou por convencê-los de que aquilo era melhor para eles. E assim seguiam os seus dias e noites iguais, em que a aventura era uma palavra num livro ou uma imagem na televisão sempre ligada, e, quando qualquer porta se abria, diziam sempre: “ Não me interessa, não tenho vontade”.

Como podiam saber se tinham ou não vontade, se nunca experimentaram? Mas era inútil perguntar: na verdade, tinham medo que de qualquer mudança que viesse sacudir o mundo a que estavam habituados.

O inspector diz estou livre. Livre estou agora, e livre estava dentro da cadeia, porque a liberdade ainda continua a ser a coisa que mais prezo neste mundo. Claro que isso me levou a beber vinhos de que não gostei, a fazer coisas que não devia ter feito e que não voltarei a fazer, a ter muitas cicatrizes no meu corpo e na minha alma, a ferir algumas pessoas – às quais acabei por pedir perdão, na altura em que compreendi que podia fazer tudo, excepto forçar outra pessoa a seguir-me na minha loucura, na minha sede de viver. Não me arrependo dos momentos em que sofri, carrego as minhas cicatrizes como se fossem medalhas, sei que a liberdade tem um preço alto, tão alto quanto a escravidão; a única diferença é que se paga com prazer e com um sorriso, mesmo quando é um sorriso manchado de lágrimas.

Coelho, P. (2005) O Zahír. Lisboa: Pergaminho

sábado, outubro 27, 2007

Após ler um mail...

Há uma frase muito badalada que diz
“Viver não é apenas existir” …

Pois, aqui está uma grande verdade, no entanto, quem realmente consegue perceber a sua verdadeira essência, a sua reflexão!?

Eu!?...
Eu apenas sinto que vou na trajectória certa para a perceber, pelo menos acredito que vou.

Todos nós deveríamos ter algo assim, algo que nos fizesse pensar, sentir, reflectir, porque isso é um sinal de que vivemos e não apenas existimos, a partir do momento que somos pró activos na nossa vida passamos a viver.
Passamos por momentos intensamente difíceis mas que dão imenso prazer e gozo como podemos obter uma realização pessoal que não nos sabe a nada...isso é viver!
Para isso temos de estar presentes, de saber se é difícil ou não…isso é sentir!
Existem diversas coisas que podemos fazer, mas para isso é preciso acreditar que conseguimos e que mesmo assim podemos falhar…isso é acreditar!
Mas eu não o faço, porque já o tenho…
Já tenho uma multiplicidade de factores que me envolvem e que me fazem ter a noção de que ainda há um caminho por percorrer, caminho esse que seguirei até encontrar a luz ao fundo do túnel…
Ter essa noção já é um príncipio de algo que se possa assemelhar com viver, sentir e acreditar.
Para comecar a viver...

No entanto tu, minha amiga!
Tu vives, Tu traças a tua rota e persegues os teus fantasmas, Tu acreditas em ti, Tu segues o teu caminho, Tu descobres o infinito pelo qual sempre batalhas-te…

Eu percebo-te…e vivo.

EU SOU TEU AMIGO…e vives.


Viver é sentiremos bem connosco mesmo, fundamentalmente é isso…

terça-feira, outubro 16, 2007

Começou...


E pronto…
Começou…começou a rotina dos meus dias…
Começaram os treinos durante toda a semana e os jogos ao fim-de-semana…
Começaram os treinos dos meus miúdos e jogos ao fim-de-semana…
Começaram as aulas! LOL! Passado cerca de um mês do seu início, da grande semana de praxe (para breve um post acerca dessa semana), posso dizer que as minhas aulas começaram e já ando a ver a vida a andar para trás!

E pronto…
Lá vou indo eu, sempre de um lado para o outro, sempre cheio de trabalhos e pseudo mini-testes, jogos e mais jogos, treinos e mais treinos!

Mas também se a vida não fosse tão agitada não teria piada nenhuma : D…

Para a briosa do meu coração, espero um campeonato tão bom ou melhor que o ano passado…Briosa on Tour II “O regresso dos que nunca foram”.

Para todos os amigos de armas na faculdade…bem, já dizia o Octávio Machado:
“Muito trabalho, muito trabalho”

Em ambos os casos, muito boa sorte para todos.
[[]]
***

sábado, outubro 06, 2007

É por aqui...


"Pensei de novo nas montanhas e nos alpinistas que encontrámos quando passeávamos. Eram jovens, tinham roupas coloridas para chamar a atenção caso se perdessem na neve e conheciam o trilho certo até aos cumes.
As encostas já estavam cravejadas com espigões de alumínio: tudo o que precisavam fazer era passar, através dos ganchos, as cordas e subir com segurança.
Estavam ali para uma aventura de feriado e na segunda-feira retornariam aos seus trabalhos, com a sensação de terem desafiado a natureza – e vencido.
Mas não era nada disso. Aventureiros foram os primeiros, os que decidiram descobrir os caminhos. Alguns não chegaram nem a metade e caíram em fendas nas rochas. Outros perderam dedos, gangrenados pelo frio. Muitos nunca mais foram vistos. Mas um dia alguém chegou ao cimo daqueles picos.
E os seus olhos foram os que primeiro viram aquela paisagem e o seu coração bateu de alegria. Ele tinha aceite correr os ricos e agora honrava – com a sua conquista – todos os que tinham morrido enquanto tentavam.
É possível que as pessoas lá em baixo pensassem: «Não há nada lá em cima, apenas uma paisagem; qual é graça disso?»
Mas o primeiro alpinista sabia qual era a graça: aceitar os desafios e ir adiante. Saber que nenhum dia era igual ao outro e que cada manhã tinha o seu milagre especial, o seu momento mágico, onde velhos universos se destruíam e novas estrelas se criavam.
O primeiro homem que subiu àquelas montanhas deve ter feito a mesmo pergunta, ao olhar para aquelas casinhas lá em baixo com as suas chaminés a fumegar: «O dia deles parece sempre igual; que graça tem isso?»"
Coelho, P. (1994) Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei. Lisboa: Pergaminho.

Ele existe...mas nos livros!

"Eu também o agarrei pelos cabelos, o abracei com toda a força, mordi os seus lábios, senti a sua língua dentro da minha boca. Era um beijo pelo qual tinha esperado muito – que tinha nascido junto aos rios da nossa infância, quando ainda não compreendíamos o significado do amor. Um beijo que ficou suspenso no ar quando crescemos, que viajou pelo mundo através da lembrança de uma medalha, que ficou escondido atrás de um monte de livros de estudo para um emprego público. Um beijo que se perdeu tantas vezes e que agora tinha sido encontrado. Naquele minuto de beijo estavam anos de buscas, de desilusões, de sonhos impossíveis.
Eu beijei-o com força. As poucas pessoas que estavam naquele bar devem ter pensado ver apenas um beijo. Não sabiam que naquele minuto de beijo estava o resumo da minha vida, da vida dele, da vida de qualquer pessoa que espera, sonha e busca o seu caminho debaixo do sol.
Naquele minuto de beijo, estavam todos os momentos de alegria que vivi. "

Coelho, P. (1994) Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei. Lisboa: Pergaminho.